

por André Deak
Parece ter saído de um conto de fadas - mas fadas não fumam haxixe. Flores espalham-se por janelas de pequenos sobrados de pedra, em ruas ainda de paralelepípedos; calçadas que lembram bosques, com um chão que veste um cobertor de retalhos, folhas cor de ferrugem; e há o céu, azul, que não ameniza o ar gelado de novembro. O tempo parece parado. Monotonia de outono, entretanto, que se quebra com o burburinho incessante de um pequeno mercado de artesanato, marijuana e haxixe. Estamos em Christiania, em Copenhague, na Dinamarca.
O turista desavisado que passa por København (Copenhague, em dinamarquês) nem sequer percebe Christiania. É como se fosse um bairro, incrustado que está na capital escandinava. Com excessão da "porta da frente", um arco sobre dois totens, entrada da colorida Pusher Street, é impossível dizer quando se está dentro ou fora da comunidade.
A história começa em 1971, quando um terreno do exército cheio de alojamentos abandonados foi invadido por grupos de hippies, libertários, socialistas, punks e fugitivos (da lei, dos pais, da sociedade convencional), entre tantos outros. Seguiam a sugestão de um artigo publicado em um jornal chamado Hovedbladet (Revista Cabeça), ele mesmo parte de uma exibição de arte chamada "Dar e Receber" que lotava Copenhague de "alternativos". Ao final da migração, foi declarado o nascimento oficial de Christiania, "uma sociedade alternativa livre, baseada na convivência com o próximo e com a natureza".
Guerra dos mundos
Quando o governo e a polícia perceberam o que ocorria na área militar, era tarde demais: já havia mais de mil pessoas morando lá, e, segundo a história conta, o espaço era muito grande para uma operação policial (90 mil metros quadrados). O assunto "Christiania" logo foi parar no Parlamento, que decidiu aceitar a área como "experimento social" até que se decidisse o que fazer com o espaço militar - contanto, claro, que seus moradores pagassem eletricidade, água e um aluguel para o Departamento de Defesa. De qualquer forma, conseguiram um espaço livre e autônomo, apesar de até hoje a tolerância política ser tênue: a polícia ainda faz "batidas" contra os vendedores de haxixe e marijuana.
Durante os primeiros anos, a cidade-livre tornou-se conhecida por suas ações no teatro e na política. Quem conseguiu maior sucesso nessa área foi um grupo chamado Solvognen. Uma de suas ações diretas mais famosas foi em 1973, quando a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma espécie de braço armado dos Estados Unidos na Europa, realizou um encontro de cúpula em Copenhagen. Inspirados no programa de rádio "Guerra dos Mundos" de Orson Welles, que simulou uma invasão de marcianos colocando em pânico a população norte-americana na década de 40, centenas de pessoas, lideradas pelo grupo de teatro de Christiania, fizeram parecer que um exército da OTAN tinha ocupado a Rádio Dinamarca e outros pontos estratégicos da cidade. A impressão que se tinha era que a Dinamarca estava ocupada por forças estrangeiras. Durante várias horas, o país inteiro ficou em dúvida se a invasão era teatro ou realidade. A ação foi uma dura crítica a intervenção dos Estados Unidos na vida dos países europeus.
O Solvognen também usou a critividade para contestar o comércio da maior festa do cristianismo. Em 1974, o grupo organizou o primeiro Natal dos Pobres da Dinamarca. Milhares de presentes foram distribuídos generosamente por um batalhão de Papai Noéis que estavam dentro das lojas de departamento da cidade. Detalhe: as lojas não sabiam nem haviam autorizado nada. O resultado é que todos foram presos, mas o escândalo ganhou as manchetes dos principais jornais da europa, com fotos de dezenas de Papais Noéis sendo espancados pela polícia. Até hoje o Natal dos Pobres continua sendo organizado - mas de uma maneira diferente: todo ano, aproximadamente duas mil pessoas participam de uma grande ceia.
A década de 1980 foi marcada pelas drogas. Em 1982, o governo começou uma campanha difamatória contra Christiania: a cidade-livre era considerada o centro das drogas do Norte da Europa e a raiz de muitos males. A comunidade teve então que organizar programas de recuperação de drogados e expulsar comerciantes de drogas pesadas, como a heroína. O mercado de haxixe continua funcionando normalmente. O governo dinamarquês nunca deixou Christiania em paz, e vários planos foram elaborados visando a "normalização e legalização" da área. Em janeiro de 1992, finalmente um acordo foi assinado. Christiania já tinha mais de vinte anos de independência e provara ao mundo que é possível viver em liberdade. Hoje, 32 anos depois, já foi foco de dezenas de estudos sociais e inspiração para outros projetos.
Como funciona?
Christiania é organizada em vários conselhos, onde todos os moradores têm direito a opinar e discutir os problemas comunitários. As decisões não são feitas por votação, mas sim através do consenso. Isso significa que não é a maioria que decide e sim que todos tem que estar de acordo com as decisões tomadas nas reuniões. Às vezes, contam-se os votos somente para se ter uma idéia mais clara das opiniões, mas essas votações não tem nenhum significado deliberativo, não contam como uma solução para os problemas da comunidade. Christiania é dividida em 15 áreas, cada uma administrada pelos seus moradores, para facilitar o funcionamento dos serviços básicos.
Todos têm a obrigação de viver com as decisões tomadas nas reuniões - e todos têm acesso e o direito de opinar. Mesmo com esta forma de democracia, algumas pessoas decidem não utilizar seus direitos - por exemplo, o tópico a ser discutido na reunião influencia bastante o quórum. Pode ser um processo difícil, e muitos christianitas (como são chamados seus habitantes) estão cansados de reuniões. Mas todos eles, inclusive os milhares de ex-moradores que hoje estão espalhados pelo mundo, aprenderam algo sobre auto-gestão através deste processo.
Foi assim que, ao longo dos anos, a cidade-livre aprimorou sua autogestão: casa comunitária de banhos (não há água quente), creche e jardim de infância, coleta e reciclagem de lixo; equipes de ferreiros para fazer aquecedores a lenha de barris velhos, lojas e fábricas comunitárias de bicicletas.

Christiania é um lugar de vida simples onde não é permitida a propriedade, normalmente mais seguro que o resto de Copenhague e calmo, pois não circulam carros (não são bem-vindos - estimula-se o uso de bicicletas) e é bastante arborizada. A administração, ainda, é rotativa e não possui hierarquia. Andando pelas ruas de Christiania, não se percebe diferença de classes sociais, ao contrário do resto do mundo capitalista. Cada um trabalha o quanto quer, e isso é muito respeitado. Quem opta por trabalhar mais, vive um pouco mais confortavelmente; quem opta por trabalhar menos, vive de maneira mais rústica, e não há discriminação alguma por causa disso.
Economia
Baseado num cálculo de 1996, Christiania recolhia e gastava 9,5 milhões de Coroas (a moeda dinamarquesa, cerca de 10 para 1 com o dólar) por ano. Os residentes arcavam com 66% desse valor em forma de aluguel, optativo: os que não querem ou não podem não precisam pagar. Dez a 20% deles são os que não pagam. Os negócios, como lojas, fábricas e bares, pagam outros 34% desse valor para arcar com os impostos sobre o produto que o governo dinamarquês cobra. Uma grande conquista é que o pagamento não é feito diretamente ao governo, mas ao Conselho de Christiania, que arrecada, gere e paga as contas da população. O Conselho, como sempre, é aberto e livre para a participação.
Normalmente, as despesas são maiores do que as arrecadações, mas a "cidade" sempre conseguiu dar um jeito e estar em dia com suas dívidas. "O que levou-nos à estranha experiência de sermos declarados 'cidadãos ideais' por políticos e autoridades, porque desde o começo dos anos 1990 temos honrado com 100% de nossas despesas".
Christiania não tem leis, mas foram criados alguns consensos para o bom convívio da sociedade:
Não às drogas pesadas
Não às armas
Não à violência
Não se negociam prédios ou áreas residenciais

Explorando as demandas do mercado...
Dentre os indivíduos que podemos classificar como empresários empreendedores inovadores, estão aqueles que analisam o mercado, uma demanda do mesmo, a falta de uma solução (produto / serviço) para esta demanda e oferecem para este mercado, de forma inovadora, a tal solução. Um novo negócio (serviço / produto) que pode ser oferecido por organizações de indivíduos empreendedores, e que faz muita falta aqui no Brasil, é o terrorismo.
O terrorismo não é propriamente um objetivo, ele é sempre um meio para um fim. O fim é variável e determinado pelo indivíduo que se utiliza de tal recurso. Segundo o dicionário Delta-Aol:
“TERRORISMO s.m. Uso ou a ameaça de violência, com o objetivo de atemorizar um povo e enfraquecer sua resistência. — Entre os atos mais comuns de terrorismo estão o assassinato, o bombardeio e o seqüestro. O terrorismo político é utilizado para conquistar ou conservar o poder (...)”
Vejamos a situação deste negocio no país:
- Competição: no Brasil, não há concorrentes diretos nesse negócio. Não temos terroristas brasileiros notórios. A competição indireta (pelo tipo de serviço prestado à comunidade) seria com o crime organizado. Comando Vermelho, Fernandinho Beira-Mar, Escadinha, ou qualquer outro Zé Pequeno foram grandes nomes, porém grandes nomes do crime organizado. Esta concorrência indireta poderia ser considerada até mesmo como público-alvo dos negócios terroristas; desta forma, realizando o serviço, a organização estaria eliminando seus concorrentes.
- Lucratividade: é um negócio que pode ser extremamente rentável, se bem aproveitado. Isto é, de vez em quando, alguma exigência como alguns milhões de dólares já tornaria o negócio lucrativo.
- Recursos necessários: fazer bombas hoje em dia, qualquer um pode aprender com os mil e um anarchy cookbooks, manuais de terroristas e tutoriais que circulam pela internet (Serviço de utilidade pública: clique aqui para aprender a fazer bombas e outros utensílios domésticos). A única dificuldade inicial é o capital de giro do negócio, ou seja, a verba inicial que manterá a operação, enquanto ela não se sustenta por si própria.
- Clientela: público-alvo deste serviço é o que não falta aqui no Brasil. Políticos, crime organizado, pessoas que dirigem mal, agências de publicidade etc.
- Demanda: com todos os escândalos de corrupção, mensalão etc. e tudo terminando em pizza, o “povo brasileiro” (como eu odeio essa expressão, me sinto um político de esquerda dando discurso) adoraria ver um serviço desses funcionando por aqui.
Podemos ver então, que a importação desse negócio para o Brasil traria inúmeros benefícios para o país, além de como vimos, ser possível e desejável. Agora, só falta eu arranjar patrocínio. Alguém se candidata?

Quando alguem atirar em você uma pedra, faça dela um degrau...
Suba, saque a sua ak47, mire no filho da puta e acabe com ele. Depois, pegue o seu endereço na carteira dele, vá na casa dele, e mate a familia também, e ainda roube toda a grana dele...![]()

"Moça rica é bacana. Moça pobre é xereta...
Moça rica tem vagina. Moça pobre tem buceta...
Passarinho de rico é canário. Passarinho de pobre é urubu...
Rabo de rico é anus. Rabo de pobre é cu...
Rico usa bengala. Pobre usa muleta...
Rico se masturba. Pobre bate punheta..."
Fonte: Orkut

Já ouvi muitas pessoas valorizando a prática do Terrorismo Poético (TP) e similares (Arte Sabotagem etc.) e menosprezando o falar sobre TP. Falar sobre TP vale menos que fazer o TP? Sem dúvida. Mas o fazer orientado pelo falar vale mais que somente a prática sem teoria. Uma TAZ pode ser feita espontaneamente. Mas TP, tendo o objetivo de mudar a vida de outra pessoa (no sentido de expandir a consciência, satori, Hakim Bey etc.), dificilmente surge de modo espontâneo, creio que apenas quando o TP já se torna um hábito na vida da pessoa. Além disso, o falar sobre TP já é uma prática, uma vez que toda ação é praticar, e falar, é agir. Porém existem diversos modos diferentes de agir. A esta altura, seria bom fazermos uma classificação:
- Prática teórica (ou simplesmente, teoria): o nome já diz tudo. Essa prática incluiria teorizar sobre os conceitos, classificação, estrutura, processo, sistema, exemplos, denominação etc. que embarcam o TP e seu universo. É o que você está fazendo enquanto discute Hakim Bey.
- Prática de planejamento (ou simplesmente, planejar): embora essa modalidade de prática também seja verbal, com a acima citada, ela inclui o planejar a prática prática. É o que você está fazendo quando pensa ou discute como fazer determinado TP.
- Prática prática (ou simplesmente, prática): nessa categoria, entra o realmente “fazer TP”.
Vemos então, que podemos diferenciar entre duas principais modalidades: o falar sobre TP e o fazer TP. Porém o falar sobre o TP pode ser dividida em duas categorias: o teorizar e o planejar, sendo que a teoria orienta o planejamento, e este, por sua vez, orienta o fazer o TP.
Deste modo, antes de criticar os outros por falarem sobre TP (teorizar ou planejar), saiba que só será possível fazer TP sem falar sobre TP, no momento em que isso virar uma ação automática, ou um hábito. E isso, primeiro que não sei é desejado. Segundo, que deve levar no mínimo anos.

Uma ferramenta interessante para analisarmos práticas culturais, entendidas enquanto conjunto de ações que os membros de uma determinada sociedade, emitem é a metacontingência.
Metacontingência é um conceito proveniente da Análise do Comportamento, abordagem da psicologia que tem como arcabouço epistemológico e filosófico o behaviorismo radical. Epistemologia e filosofia estas, condenadas por dez entre dez dos psicólogos humanistas e até mesmo por autores influenciados pelos primeiros e que quem lê essa porra de blog já deve ter lido, como Robert Anton Wilson e outros.
Contingência, na terminologia técnica-científica da Análise do Comportamento, é a unidade de análise que descreve as relações funcionais entre o comportamento e o ambiente. Contingências são expressas nos termos “Se..., Então...”. Por exemplo, Se criancinha chata e birrenta chora, Então mamãe obedece à criança. Comportamento ou ação, neste contexto, é entendido como qualquer interação organismo-ambiente. Ambiente, por sua vez, é entendido como o conjunto de estímulos que afetam o comportamento (sendo assim, o ambiente é externo à ação, não ao organismo). Já estímulo, é entendido enquanto qualquer alteração ambiental que afeta o comportamento.
Esta unidade é utilizada para analisar (e intervir em) comportamentos de indivíduos. Para analisar (e intervir em) comportamentos de grupos, ou seja, práticas culturais, a Análise do Comportamento criou outra unidade de análise: a metacontingência.
Metacontingência é a unidade de análise que descreve as relações contingentes (Se..., Então...) entre práticas culturais e suas conseqüências. Para criarmos ou utilizarmos uma metacontingência, temos que identificar os seguintes fatores:
1- Prática cultural de um grupo de indivíduos;
2- Conseqüências desta prática para o grupo.
Sendo as práticas culturais, formadas pelo conjunto dos comportamentos dos indivíduos em grupo, temos que o comportamento de determinado indivíduo desse grupo tem uma conseqüência específica que atinge somente à ele. Por outro lado, os comportamentos do grupo, enquanto conjunto, tem outras conseqüências, as conseqüências culturais. São estas que selecionarão as contingências comportamentais (individuais), compreendendo as práticas culturais.
QUE MERDA ISSO TUDO QUER DIZER?
O modelo causal do Behaviorismo Radical consiste no que é denominado de “seleção por conseqüências”. Neste modelo, o repertório comportamental do do indivíduo não tem uma causa mecanicista (como pregam os seus críticos, dizendo que para os analistas do comportamento, tudo se resume ao estímulo que causa a resposta), mas antes, ele é produto de três espécies de seleção realizadas pelo ambiente. A seleção filogenética, que selecionou os comportamentos da espécie (comportamentos comuns a todos os membros de uma determinada espécie). A seleção ontogenética que consiste no conjunto de experiências que moldam o comportamento do indivíduo ao longo de sua vida. E por último, a seleção cultural, seleção que a cultura na qual o indivíduo está inserido realiza.*
As metacontingências nos permitem entender exatamente o relacionamento entre a influência que a cultura no comportamento do indivíduo, a influência que o conjunto de comportamentos do grupo tem para a cultura, e como a cultura realiza a seleção deste conjunto de comportamentos, o qual reflete no comportamento individual.
EXEMPLO: PROFISSÕES
Para entendermos as práticas culturais de uma determinada sociedade, temos que entender então, as conseqüências desta prática para a cultura como um todo. O comportamento do indivíduo será selecionado pelas suas conseqüências. Uma ampla gama das contingências que selecionam os comportamentos do indivíduo, porém são selecionados, por sua vez, pelas conseqüências que os comportamentos do primeiro, quando acrescidos dos comportamentos de outros do grupo (as práticas culturais) geram para a cultura. Confuso, não?
Podemos entender as profissões como práticas culturais. O indivíduo que exerce determinada profissão, tem diversas conseqüências para estes comportamentos, conseqüências estas que são diferentes para cada um (por exemplo, dinheiro, fama, prestígio etc.). Porém, para a cultura, a existência de determinada profissão (ou em outros termos, o conjunto de comportamentos que caracterizam um profissional de determinada profissão) tem uma (ou mais) conseqüência (s) comum (ns) à estes comportamentos. A existência de uma outra profissão na sociedade deve-se à tais conseqüências.
Desta forma, podemos entender uma profissão não somente pelos comportamentos que a caracterizam, mas também pelas conseqüências que os mesmos geram para a cultura. De forma mais fácil: pra saber o porquê de determinada profissão, temos que enxergar quais suas conseqüência para a cultura. Se estas conseqüências são reforçadoras para a cultura, a profissão continuará existindo. Caso contrário, esta prática extingui-se. Se quiséssemos entender a “motivação” do indivíduo para exercer determinada profissão, teríamos que analisar as conseqüências individuais que esta profissão traz para o indivíduo. O que procuramos entender aqui, não é o comportamento do indivíduo isoladamente, mas as práticas da cultura.
Neste texto, peguei como exemplo, de prática cultural, as profissões, porém poderia pegar qualquer outra prática cultural. Pretendo fazer isso em outros textos.
O nascimento da psiquiatria e da psicologia teve como conseqüência a legitimização do internamento dos loucos, agora, entendidos como doentes mentais. Esta legitimização do internamento dos loucos, podemos dizer, que é a causa (ou em termos mais exatos, a função) do nascimento da psiquiatria e da psicologia.
Qual a conseqüência cultural da existência da profissão policial? Servir proteger com qual função? O direito à propriedade? Segurança de uns contra os outros? Exclusão dos infratores / contraventores?
Qual a conseqüência cultural da existência da profissão do político? Os ricos serem beneficiados? Os pobres serem beneficiados? A República transformar-se em Império?
Claro que não podemos generalizar. Dentro de uma cultura, uma profissão pode ter determinadas conseqüências, enquanto em outra cultura, a mesma profissão pode ter outras conseqüências. Mas deu pra pegar o espírito.
Só consegui captar o sentido total dessa ferramenta de análise cultural há poucos dias. Pretendo prosseguir nesse tema. Foda-se!
* Não é difícil vermos a influência de Darwin e sua seleção natural neste modelo causal de comportamento.
** Essa foto não tem nada a ver com o assunto em questão, mas na minha opinião, é um dos diálogos mais foda que eu já vi no cinema.

Algumas pessoas encontram sua fé quando mais precisam dela, em uma crise, quando estão na merda, precisando de alguém para poder se apoiar. Outras encontram em momentos que não tão procurando, por isso nem sabem que a encontraram... Salve Éris, Nossa Senhora da Discórdia!
... criada para aqueles que crêem que Jesus (assim como Bush e Mussolini) além de estar sempre vivo em nossos corações, sendo onipresente, está em todo lugar. Debaixo da cama à noite com uma faca, no motel com a mãe do teu vizinho, no boteco pedindo duas pingas com limão, passando a mão na bunda de gambé, na boka de fumo pedindo “dois papel”, comendo trakinas, mandando você à merda, passando sermões mastigados no centro da cidade, lendo pornografia tetrasexual, etc etc e tal... Você que teve uma experiência com Jesus, divida-a conosco. Hoje encontrei Jesus e ele...
Hoje encontrei Jesus e ele me falou que é ateu...
Hoje encontrei Jesus e ele me falou que tava de rebordose...
Hoje encontrei Jesus e ele me deu um chute no saco....
Hoje encontrei Jesus e ele estava imitando o Sloth...
Hoje encontrei Jesus e ele não tava conseguindo entrar no orkut...
Hoje encontrei Jesus e ele me falou que tem medo de grampeadores...
Hoje encontrei Jesus e ele tava vendendo filme pornô da Rita Cadillac dando o cu lá no centro...
Hoje encontrei Jesus e ele me falou que prefere aguardente à agua benta...
Hoje encontrei Jesus e ele tava lutando contra o Esqueleto (inimigo do He-Man)...
Hoje encontrei Jesus e ele me falou que quem não curte Ramones é filha da puta...
Hoje encontrei Jesus e ele me falou que queria comer a Britney Spears...
Hoje encontrei Jesus e ele me mandou tomar no cu...
Hoje encontrei Jesus e ele me falou que o Anakin Skywalker se transforma
Hoje encontrei Jesus e ele me falou “Que a força esteja com você”...
Hoje encontrei Jesus e ele me falou que tava com diarréia...
Hoje encontrei Jesus e ele peidou... Filha da puta!
Hoje encontrei Jesus e ele me falou que tem pesadelos com os teletubbies...
Hoje encontrei Jesus e ele tava cantando “Body Count is in the house!”...

Atualmente, há algo denominado pelo marketing de segmentação de mercado. Consiste basicamente em ao invés de oferecer o seu produto / serviço para todo o mercado em geral, cria-se um foco, especificando um nicho do mercado, um tipo de público-alvo. É uma estratégia de negócios que mostrou-se rentável, principalmente para empresas cujo produto / serviço não tem a propriedade de agradar a massa em geral ou que não fazem questão de agradar a massa em geral (preto pobre não vai pagar muito).
Dentro desse raciocínio, formam-se ou especificam-se segmentos de mercado que tenham maior probabilidade de serem clientes em potenciais, pessoas físicas ou jurídicas que desejam o que a empresa tem para oferecer. Divide-se o mercado por diversas classificações, como faixa etária, renda mensal, número de carros, número de filhos, número de microondas, número de bolas no saco, número de banheiros, número de dormitórios, número de vezes que deu o cu, número de geladeiras, escolaridade, peso, zona residencial, preferência sexual, raça, etnia, hábitos noturnos, profissão, hobbies, marca de cigarro fumado, e o caralho a quatro. Ou seja, qualquer informação que pode ser usada, é usada para vender. É tudo alimento para os bancos de dados ou CRMs (Customer Management Relationship – sistemas de informação de Gestão do Relacionamento com o Cliente) da vida.
Desta forma, vemos propagandas que não são direcionadas especificamente para nós. Uma propaganda de fralda da Jonhson & Jonhson (não geriátrica) é direcionada exclusivamente para pais. A propaganda da G Magazine é direcionada exclusivamente para viados. A propaganda da Playboy é direcionada exclusivamente para homens. O flyer daquela baladinha supimpa é direcionada exclusivamente jovens na faixa etária de 20-30 anos, com condições financeiras suficientes para pagar 5 conto numa latinha de breja. E assim vai...
A ação de empreendedores e grandes marketeiros pode estar na busca de mercados ainda inexplorados, ou pelo menos, não explorados à exaustão. Como, por exemplo, o de portadores de psicopatologia.*
Cena 1:
Você vai na banca comprar cigarro. Chegando lá, você dá uma olhada naquelas revistas que tem uma mina de quatro na capa com cara de vagabunda (estilo Buttman), pensa algumas indecências, tira o dinheiro da carteira, quando ouve um sujeito de avental branco, provavelmente um médico, perguntando ao jornaleiro (prefiro a denominação “o cara da banca”):
- Opa... Chegou já a edição especial da Playboy?
- Chegou hoje, chefe! Deixa eu pegar aqui...
Você, esperando para poder pedir o seu cigarro, fica curioso pra saber qual é a capa da nova edição da playboy. Quando o cara da banca entrega a revista pro médico, você vê uma mulher nua (porém, com a mão cobrindo os bicos das tetas e os pentelhos – afinal, é playboy, nu artístico, não é a revista “Safadas e Gulosas”) deitada numa daquelas mesas de necrotério. A manchete (não sei como que se denomina aquele texto na capa) é “Todas mortinhas, bem paradinhas pra você! + Nessa edição: veja Danielle Cicarelli morta! + As mortas mais gostosas do cinema”.
Playboy Edição especial pra Necrófilos.
Já deu pra pegar o espírito da coisa, não deu?
Cena 2:
Tua namorada, você e os amigos dela procurando uma balada na vila madalena, que falaram pra alguma dessas putas (quase todas as amigas da tua mina – não importa que mina - são putas, pode perceber isso) que era uma balada alternativa, a pampa. Você dirigindo, para o carro no posto de gasolina pra pedir informações:
- Opa! Ô chefe, onde que fica a... Qual é o nome mesmo?
- É na Mourato Coelho. Número 345. Pergunta pra onde que fica esse número.
- A Mourato Coelho, número 345...
- Ah, acho que sei onde que é... Você pega a segunda direita depois do farol, vai reto três quarteirões e já tá por lá.
- Beleza. Valeu chefe!
Estaciona o carro fazendo baliza. Puta vaguinha de merda, mas você que não vai pagar 10 conto pra manézinho flanelinha filha da puta. Chegando na porta da balada, o som tá estranho, bem alternativo mesmo, você pega do bolso aquele convite que imprimiu no site de baladas pra ter um desconto VIP. Entrando na balada, você percebe que tem alguma coisa errada... Não. Não tem uns caras de barba sem camisa se beijando e se esfregando um no outro. Também não é um monte de casal fazendo troca-troca. Não é uma balada GLS ou uma festa de swing.
Você entrou na Retardad’s Bar & Lounge. “A balada pra você que é retardado!”
CONCLUSÃO: Tem uma puta de uma parcela do mercado que não está sendo explorada. Os necrófilos, zoófilos, esquizofrênicos, retardados, maníacos-depressivos, neuróticos obsessivos, psicóticos, enfim, todos esses portadores de doenças ou deficiências mentais. Excluindo este nicho de mercado da exploração do marketing, vejo um grande preconceito por parte da sociedade. Afinal, seguindo a lógica que aprendemos desde que nascemos (“quando nascemos fomos programados pra receber o que vocês nos empurraram com os enlatados dos USA das dez as seis” – palavras de um viado aidético que já morreu– NÃO ouse contestar!), apenas consumindo que nos tornamos cidadãos. Estamos então, ao nos negar a explorar os portadores de psicopatologia, impedindo que os mesmos tornem-se cidadãos conscientes lutando para consumir mais.